EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO COTIDIANO ESCOLAR:
DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM
José Erildo
Patrícia Bernarda
Patrícia Romeiro
Fevereiro / 2009



RESUMO –
A tão falada educação para todos, o direito de inserção as escolas e a desejada escola de qualidade, faz provocar questionamentos diversos acerca dos conceitos e problemas vivenciados por esse modelo. Partindo do princípio de que organizar a ação educativa é ampliar e dar formas para que cada um ocupe sua parcela de contribuição na sociedade, percebe-se que as instituições escolares estão cada vez mais limitadas nos seus processos de aprendizagem, sendo preciso um avanço urgente que atinja toda esfera escolar, oferecendo condições para o aprimoramento e domínio dos elementos éticos necessários nas relações sociais, através da vivência prática e da reflexão sobre eles, visto que cada vez mais essa tarefa vem sendo transferida a escola. Para tanto, esse trabalho objetiva caracterizar as dificuldades de aprendizagem de alunos da rede regular estadual de ensino fundamental da cidade de Natal no Rio Grande do Norte. Utilizou-se questionários como instrumento para coleta de dados que buscaram enfatizar os aspectos ambientais, emocionais, sociológicos e físicos incidentes no processo de aprendizagem, junto a 133 alunos, 32 pais e 17 professores. Pôde ser constatado que, de modo geral, há em nossos alunos uma falta de perspectiva de sonhos aliada a certo conformismo em tal realidade e uma inquietação generalizada pelo corpo docente por não conseguirem atingir por completo os anseios dos educandos.  Verificou, ainda, que qualquer prática adotada impulsiona a falta de persistência dos alunos frente aos desafios e conteúdos educacionais apresentados. Conclui-se que oferecendo aos educandos um ambiente adequado para que cada um interaja de modo mais eficaz com sua cultura e os problemas de seu tempo, visto que o ambiente conceitualmente estimulante propicia um clima adequado para o desenvolvimento das habilidades intelectuais, os alunos serão capazes de reconhecer seus papéis como aprendizes cognitivos e poderão apreciar seu crescente domínio sobre as habilidades necessárias para dominar sua parcela de contribuição na sociedade.

UNITERMOS: Educação, Inclusão, Dificuldades de Aprendizagem.

 

DIFFICULTIES OF LEARNING

SUMMARY – People have been talk about education and the law to insert people in one school with quality. This is causing several questions about the concepts and problems that people are living with this model. Assuming that organize the educational activity is expanding and give forms for which each person give your own contribution for the society, to understand that educational establishments are increasingly limited in their learning processes, which need urgent that a breakthrough reach all school, providing conditions for the improvement and ethical elements necessary for the social relationships, through practical experience and reflection on them, because many responsibility has been transferred to school. For this reason, this work aims to characterize the difficulties of learning of students in regular elementary school in the city of Natal in Rio Grande do Norte. It was used questionnaires as a tool for collecting data that sought emphasize environmental issues, emotional, sociological and physical incidents in the learning process, with 133 students, 32 parents and 17 teachers.
Could be found that, in general, there is in our students a lack of perspective of dreams combined with certain conformism in this reality and a widespread concern by the faculty by not achieve in full the aspirations of learners. There is, also, that any practice adopted drives the lack of persistence of students facing the challenges and educational content submitted. It was concluded that offering students an appropriate environment for each interact more effectively with their culture and the problems of his time, since conceptually challenging environment provides a suitable climate for the development of intellectual skills, students will be able to recognize their roles as apprentices cognitive and may enjoy your growing area on the skills needed to master its share of contribution in society.

KEYWORDS: Education, Inclusion, Learning Difficulties.

INTRODUÇÃO
Falar sobre inclusão é falar sobre as diferenças inerentes ao ser humano e, na diferença ou na diversidade, não estão somente às minorias. Cada um possui uma “bagagem” particular, com suas próprias crenças, com sua visão de mundo, sua cultura de referência, com condições pessoais diferentes, com interesses distintos e com capacidades distintas. Em meio a essa bagagem, surgem algumas necessidades particulares que requerem modificações na metodologia escolar, tal qual se exige que se dê mais tempo para que determinados alunos avancem em determinados objetivos ou conteúdos, proporcionando um acesso em diferentes graus de complexidade, através de estratégias de ensino que visem atingir aos objetivos propostos. A pesquisa em Educação Inclusiva em meio às dificuldades de aprendizagem tem se caracterizado pelos questionamentos sucessivos provocados pelos profissionais ligados a essa área, mediante a necessidade de respostas que abordem a realidade de sala de aula. Trata-se de definir um caminho metodológico que busque resgatar uma fórmula a ser reconstruída aos poucos sem limitações ou barreiras. Investir na inclusão implica apostar em uma política educativa que assegure que a atenção à diversidade seja o eixo central e que isso se verifique em todas as etapas educacionais levando os profissionais inseridos nesse contexto a aprender a aprender, em meios aos distúrbios de aprendizagem individualizados, contando com currículos amplos, equilibrados e flexíveis. Deve-se lembrar, pois, que a inclusão educativa é um projeto de escola e não de professores isolados. Será preciso trabalhar no sentido de fazer projetos educativos institucionais que incorporem a diversidade como ponto de partida na tomada de decisão. Ao invés de classificarmos e rotularmos as crianças sempre como culpadas do processo do não-aprender, devemos observar alguns fatores que vem contribuindo para a queda da qualidade de ensino atrelada as dificuldades de aprendizagem e ao fracasso escolar, tais como:
Competitividade feroz – Com classes superlotadas e cada um com um nível de aprendizagem diversificado, os alunos têm pouca oportunidade de receber uma maior atenção dos professores e estes não têm condições de acompanhar cada aluno individualmente e aí começam a aparecer os grupos dos que detêm os conhecimentos com maior facilidade e os que assim não o acompanham ficam cada vez mais atrasados.
Inatividade física – Observa-se uma estrutura física cada vez mais limitada nas escolas, um ambiente que não proporciona lazer e um espaço adequado que possibilite as crianças a descarregarem suas energias em meio a corridas, esportes, etc.
Matérias fragmentadas – Percebe-se muitos profissionais que não conseguem elaborar uma boa aula, em meio a falta de tempo, por motivos adversos, que terminam se transformando em meros repassadores de conteúdos que têm pouca relação com os interesses e as experiências individuais da criança, provocando freqüentes avaliações e questionamentos do progresso do aprendizado. E aí esquecemos que uma boa aula é semelhante ao preparo de uma boa comida. Devemos colocar somente os ingredientes necessários no tempo e local adequado.
Falta de tempo para o convívio familiar – Grande problema que transforma uma geração de adolescentes e jovens em indisciplinados e sem limites, pois devido à falta de assistência dos pais esses criam suas próprias regras e conclusões sobre assuntos adversos, uma vez que não encontram em quem buscar um exemplo ou orientação para a vida, pois a pouca oportunidade de conhecer as experiências de pessoas de outras idades, faz com que não consigam escutá-las, taxando-as, muitas vezes, de ultrapassadas.

Desencorajamento a compartilhar idéias e trabalho com os colegas de classe – Observamos a formação de uma geração que pouco questiona e que se torna passiva diante de situações do dia-a-dia, ocasionada, em sua maioria, pelos pais que tentam suprir sua ausência proporcionando todos seus desejos. Percebemos adolescentes e jovens que não sabem dividir e muitas vezes expressar ou questionar suas dúvidas e anseios.
Todos esses fatores apontam para a necessidade de mudanças na postura familiar e investimentos em políticas públicas em educação que redimensionem o olhar sobre as dificuldades de aprendizagem. 
O termo dificuldade de aprendizagem refere-se não a um único distúrbio, mas a uma ampla gama de problemas que podem afetar qualquer área do desempenho acadêmico. Raramente, elas podem ser atribuídas a uma única causa. Muitos aspectos diferentes podem prejudicar o funcionamento intelectual, e os problemas psicológicos dessas crianças freqüentemente são complicados, até certo ponto, por ambientes doméstico e escolar por serem erroneamente classificados como tendo baixa inteligência, insolência ou preguiça. Elas são constantemente insultadas, por adultos ansiosos e preocupados com seu desempenho acadêmico, forçando-as a corrigirem-se ou esforçarem-se. Quando as táticas comuns de recompensa e de punição fracassam, pais e professores tornam-se frustrados.
Na realidade, as dificuldades de aprendizagem são normalmente tão sutis que essas crianças não parecem ter problema algum. Muitas crianças com dificuldades de aprendizagem têm operado, em diversas situações, com um nível de pensamento compatível com seu desenvolvimento, e o que em geral é mais óbvio nelas é que são capazes (mesmo que excepcionalmente) em algumas áreas. O que elas têm em comum é o baixo desempenho inesperado.
Como não existem testes neurológicos definitivos para as dificuldades de aprendizagem, a determinação da causa de problemas desse tipo em determinado aluno ainda é, amplamente, uma questão de trabalho de investigação, acatada principalmente por profissionais da psicopedagogia.
Atualmente, o tratamento mais efetivo para as dificuldades de aprendizagem ainda é um programa de educação apropriado, planejado para abordar as necessidades individuais da criança.
Com freqüência é o ambiente da criança que determina a gravidade do impacto da dificuldade. Existem muitos aspectos do ambiente doméstico que podem prejudicar a capacidade de uma criança para aprender, tais como: os alunos cujas famílias não conseguem oferecer-lhes os materiais escolares, um horário previsível para a realização das tarefas em casa e um local relativamente tranqüilo para o estudo, precisam estar excepcionalmente motivados para aprender; crianças que vivem com baixas expectativas e pouco encorajamento; estresse emocional; ansiedade por mudança de residência; discordância familiar; doenças; medos; etc. E, na escola, as salas de aula abarrotadas, professores sobrecarregados ou pouco treinamento e suprimentos inadequados de bons materiais didáticos, só favorece ainda mais as dificuldades.
Em se tratando de alunos com dificuldades de aprendizagem, devemos aprender a esperar também pelo inesperado, e nunca presumir que um aluno não tem conhecimento prévio sobre um assunto, não importando sua idade, inteligência ou sua “esperteza”. O progresso é, em geral, uma questão de tentativas e erros, e as pessoas que temem cometer erros limitam suas oportunidades de avanço.
A integração entre o indivíduo e o ambiente desempenha um papel fundamental na determinação de quem é rotulado: a sociedade que decide isso valoriza particularmente determinadas aptidões especificas, e diz-se que as pessoas que exibem níveis inferiores dessas aptidões especificas possuem dificuldades especificas. Além disso, alguns ambientes tendem a estimular algumas habilidades, enquanto outros ambientes estimulam outras habilidades.
A criança com dificuldades de aprendizagem perde a motivação por não conseguir acompanhar permanecendo quatro horas diárias, não estando nem aí para as atividades que o professor propõe usando o tempo para fazer alguma outra coisa e tentar conseguir companhia tornando-se quase que impossível o incremento de saberes, o desenvolvimento de competências e habilidades intelectuais, sociais e afetivas de que todos necessitam.
O sucesso na vida requer as mesmas fórmulas para todos descobrirem as potencialidades e as fragilidades, tirar o máximo das potencialidades e encontrar maneiras de corrigir as limitações e lidar com elas.
Os alunos, hoje, esperam que a performance do professor se assemelhe à de um ser sobrenatural, um ser que os encante. Esperam também, que em sala de aula o mestre lhes apresente desafios, questões engraçadas, divertidas e interessantíssimas, além de ter capacidade de gerir os inúmeros conflitos em sala de aula, decorrentes da falta de limites e da violência social. Criam um mito de que estudar ou fazer tarefas em casa torna-se praticamente desnecessário, pois por serem maravilhosas as aulas com um bom professor todos aprendem com facilidade. Aí esquecem que tudo na vida requer algum esforço para ser atingido: dedicação, concentração, momentos de estudo para exercitar o que estudou, refletir para sedimentar conceitos e transferir aprendizagens, e que ele, aluno, é parte ativa e integrante do processo e dele depende uma cota de responsabilidade a ser dividida com a instituição.
Muitas crianças com dificuldades de aprendizagem também lutam com comportamentos que complicam suas dificuldades na escola. Alguns outros comportamentos problemáticos em geral observados são os seguintes:

Fraco alcance de atenção: A criança distrai-se com facilidade, perde rapidamente o interesse por novas atividades, pode saltar de uma atividade para outra e, frequentemente, deixa projetos ou trabalhos inacabados.

Dificuldade para seguir instruções: A criança pode pedir ajuda repetidamente, mesmo durante tarefas simples (“Onde é mesmo que eu devia colocar isto?” “Como é mesmo que se faz isto?”). Os enganos são cometidos, porque as instruções não são completamente entendidas.

Imaturidade Social: A criança age como se fosse mais jovem que sua idade cronológica e pode preferir brincar com crianças menores.

Dificuldade com a conversação: A criança tem dificuldade em encontrar as palavras certas, ou perambula sem cessar tentando encontrá-las.

Inflexibilidade: A criança teima em continuar fazendo as coisas à sua própria maneira, mesmo quando esta não funciona; ela resiste a sugestões e a ofertas de ajuda.

Fraco planejamento e habilidades organizacionais: A criança não parece ter qualquer sensação de tempo e, com freqüência, chega atrasada ou despreparada. Se várias tarefas são dadas (ou uma tarefa complexa com várias partes), ela não tem qualquer idéia por onde começar, ou de como dividir o trabalho com segmentos manejáveis.

Distração: A criança frequentemente perde a lição, as roupas e outros objetos seus; esquece-se de fazer as tarefas e trabalhos e/ou tem dificuldade em lembrar de compromissos ou ocasiões sociais.

Falta de destreza: A criança parece desajeitada e sem coordenação; em geral, deixa cair as coisas ou as derrama, ou apalpa e derruba os objetos; pode ter uma caligrafia péssima; é vista como completamente inepta em esportes e jogos.

Falta de controle dos impulsos: A criança toca tudo (ou todos) que prende seu interesse, verbaliza suas observações sem pensar, interrompe ou muda abruptamente de assunto em conversas e/ou tem dificuldade para esperar ou revezar-se com outras.
Para constatarmos esses comportamentos, em nossa prática, apresentaremos na seqüência a análise dos resultados oriundos de uma pesquisa desenvolvida no âmbito escolar a fim de se discutirem estratégias que favorecem uma aprendizagem adequada.

ANÁLISE DOS RESULTADOS
Investigar as causas que levam as dificuldades de aprendizagem a ser um dos fatores mais estudados e retratados pelos educadores, é algo que fomenta a perspectiva de conhecer e tornar-se ciente de que por trás de tal declínio de conhecimento, há um processo de desgaste cognitivo.
Neste aspecto, esta pesquisa busca compreender as dificuldades de aprendizagem encontradas pelos educadores em sala de aula, como também entender os mecanismos utilizados pelos mesmos para minimizar as dificuldades de aprendizagem. Visa ainda investigar os fatores que levam o aluno, a desenvolver déficits que transgridem a esfera normal das relações escolares.

As Dificuldades de Aprendizagem, segundo o depoimento dos professores
Para discutir o tema Dificuldades de Aprendizagem na escola referida, foram participantes 17 professores das seguintes áreas: Pedagogia, Letras, Historia, Geografia, Religião, Matemática e Artes, dos quais 7 têm formação especializada. De faixa etária variando de 24 a 55 anos, cujos 47% já lecionam há no máximo 10 anos, 30% há mais de 20 anos e os demais variando de 11 a 20 anos.
Segundo eles, os fatores que influenciam para que as Dificuldades de Aprendizagem surjam em meio escolar são causadas pela falta de atenção, pela impulsividade, pela agitação gerada pela imaturidade social e pela dificuldade em se expressar, a desorganização, a inflexibilidade e o desajuste familiar. Para amenizar essas dificuldades seria necessário que as necessidades sociais e emocionais dos alunos com DA fossem melhor satisfeitas em sala de aula, com apoio de educação especial, pois cada um tem necessidades únicas, devendo ser elaborado programa individualizado que dê resposta a essas necessidades, cuja responsabilidade da elaboração e implementação dos programas educativos deve ser partilhada entre os professores da turma e o professor de apoio educativo, deixando de lado um currículo único que levanta problemas a inclusão de alunos com DA à escola. Eles dizem não se sentirem satisfeitos em ensinar crianças com DA, porém a situação pode ser revertida caso haja a ajuda do professor de apoio educativo e também, principalmente, o apoio da família.

As Dificuldades de Aprendizagem de acordo com pais
Com o auxilio “inestimável” de trinta e dois pais, de ambos os sexos, foi possível levantar hipóteses do porque das dificuldades de aprendizagem detectadas nos alunos pelos professores da escola em estudo. Pudemos observar que 75% dos pais trabalham e que quase a metade destes, chegam a ficar em seus locais de trabalho mais de 40 horas semanais e o restante variando de 30 a 40 horas.
Com a ajuda de um questionário foram levantadas algumas questões, consideradas relevantes, tais como: qual o tempo de convívio familiar; se dedicam algum tempo durante o dia ou noite para acompanhar as atividades escolares de seus filhos; se costumam conversar com seus filhos, ambos podendo participar um da vida do outro mostrando seus medos e frustrações e seus sonhos; o que significa para eles ser um bom pai/mãe. Diante das respostas fornecidas pudemos constatar que aproximadamente 79% dos pais dedicam em média mais de uma hora diária de seu tempo livre para auxiliar seus filhos nos estudos, porém mais da metade alegou não participar dos sonhos de seus filhos, consequentemente fazendo com que seus filhos também não participem de seus sonhos, medos e frustrações, fato este que acarreta a falta de experiências compartilhadas, experiências que podem levar ao amadurecimento, a perseverança e a vontade de fazer o diferencial por parte dos alunos.

As Dificuldades de Aprendizagem na percepção dos alunos
           
Ao levantar questionamentos a 133 alunos, do ensino fundamental II, da escola em estudo, cujas idades variam de 9 a18 anos, constatamos que o nível de escolaridade do pai é quase que nivelado com o da mãe, porém é o pai quem tem mais probabilidade de galgar um nível superior de ensino, talvez pelo fato de que seja ele, em sua grande maioria, quem trabalha fora, quem sustenta a família, devendo, desta forma, estudar mais para que possa ascender em seu emprego ou para que possa buscar outro melhor. Quando perguntamos qual a principal motivação que os leva à escola, a maioria (81%) afirmou que é a vontade de aprender, enquanto que 41% dos entrevistados alegaram que muitas vezes resistem em ir a escola por não gostarem dos métodos de ensino utilizados pelos educadores, 60% disse que imposições também os impulsionam a “cabular” as aulas e 31% afirmou que em decorrência da falta de recursos as aulas se tornam monótonas, não atraindo sua atenção e consequentemente o gosto pelo novo.
Para 36% dos alunos a avaliação deve se processar por meio, somente, de atividades extras, 33% acreditam que deva ser por meio de trabalhos, testes e provas e 22% dos alunos crêem que deva ser somente por trabalhos. Eles dizem mais, 70% alega que as atividades de casa são necessárias e 60% afirma que são bons alunos. Em contrapartida, 42% deles informa que buscam leituras educativas e 49% busca o apoio da internet somente para diversão, enquanto que em relação aos programas televisivos, eles buscam a todos os tipos, desde desenhos, novelas, até noticiários e programas educativos.
De posse deste apanhado de informações fornecido pelos próprios alunos, constatamos que os mesmos têm em seu interior a vontade de criar, de se sobressair, de crescer cognitivamente, porém inúmeros fatores fazem com que eles relaxem ou até mesmo desistam de seus sonhos.
Ao conversarmos informalmente com eles, verificamos seus anseios, suas angústias, seus medos, seus potenciais, mas também tivemos a oportunidade de constatar o que os levam a fracassar em seus sonhos. Observamos, também, que a falta de estímulos e as críticas por parte dos adultos é um dos obstáculos que os fazem desistir. Outro ponto importante, é o vinculo afetivo professor-aluno, cujo professor tenha a liberdade para incentivá-los, falar da vida, de interagir conhecimentos onde não haja somente uma única mão de conhecimento, porém uma mão dupla, cujos conhecimentos se dêem professor-aluno e aluno-professor.

CONCLUSÃO

O sonho ou aspiração de todo ser humano é poder conviver feliz e fraternalmente com o seu semelhante. Mas o que constatamos, em nossas escolas, é o contrário: uma dificuldade imensa de convivência em toda a equipe escolar. Quer-se a paz e constrói-se a violência quando somos coniventes diante da conduta de comportamento de certos alunos ou colegas de profissão; deseja-se a feliz convivência e o desentendimento impera quando em nossos alunos há uma inversão de valores repercutindo na falta de limites e aos nossos colegas de profissão quando seu ponto de vista tem de ser o correto, indiscutível e aceito de imediato não provocando em ambos os casos uma reflexão diante da melhor postura a ser adotada.
O segredo para o futuro e o bem-estar no presente é reflexo de nossas atitudes em meio a nossa postura mediante as barreiras ou dificuldades. Não é algo que acontece repentinamente ou cai como fórmulas prontas oriundas de nossos governantes. Trata-se de conquista diária que exige empenho por parte de todo o corpo escolar. Não podemos só reclamar, dizendo que as coisas não estão bem; precisamos fazer algo para que se tornem melhores.
Isso significa que todos nós, pais, alunos, professores e toda a equipe escolar somos responsáveis pela tarefa de educar. Todo aquele que se propõe a seguir a educação torna-se responsável para que o fruto do conhecimento plantado hoje seja colhido por outras gerações num futuro breve. Reclamar é fácil e, às vezes, até necessário, mas urgente mesmo é botar a mão na massa.
Os Educadores caminham em meio ao retrocesso escolar cada vez mais sem apoio, incentivo ou investimentos. É como nadar contra as correntezas. Muitas vezes estes se vêem sem opções por não conseguirem encontrar perspectivas de melhoras. À exemplo desses, somos chamados, enquanto sociedade que deve exigir e participar, a nos unirmos a eles para diariamente sermos incentivadores de novos sonhos, portadores de ideais, nunca usando de violência ou arrogância. 
As dificuldades e os obstáculos são constantes na perseverante missão de educar, mas nem por isso devemos deixar de nos empenhar. Toda conquista exige esforço e dedicação.
A missão do Educador não é, pois, transferência imediata de conteúdos aos educandos, nem o recheio de fórmulas prontas que busquem a imediata absorção do conteúdo, mas antes de tudo, conscientizar – tornar cidadãos conscientes para as adversidades do mundo – e preparar, serena e corajosamente, o alicerce da educação que busca formar nos aprendizes o sentimento constante da justiça, dignidade e solidariedade. Esses são os frutos que comprovam o resultado da colheita dos educandos na sociedade.

 


 

REFERÊNCIAS
1. BECLAUER, J. Olhar, ver, tecer: a busca permanente da teoria no campo psicopedagogico. In: Beatriz Judith Lima Scoz e alli. (Org.). Psicopedagogia - Contribuições para a educação pós-moderna. 2. ed. Petrópolis: Vozes; São Paulo: ABPp, 2004, v. 01, p. 24-35.
2. CURY, A. J. Pais Brilhantes, professores fascinantes. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.
3. FERNÁNDEZ, A. O saber em jogo – A psicopedagogia possibilitando autorias de pensamento. Porto Alegre: Artmed, 2001.
4. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários a prática educativa. São Paulo, Paz e Terra, 1996.

5. GOSSLER, M. A. S. O silêncio da família e a dificuldade de aprendizagem. In: Beatriz Judith Lima Scoz e alli. (Org.). Psicopedagogia - Contribuições para a educação pós-moderna. 2. ed. Petrópolis: Vozes; São Paulo: ABPp, 2004, v. 01, p. 86-93.

6. TIBA, I. Disciplina: limite na medida certa. São Paulo: Integrare, 2006.

7. ZAGURY, T. O professor refém: para pais e professores entenderem por que fracassa a educação no Brasil. 7. ed. Rio de Janeiro: Record, 2006.