A importância do psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem

Silvia Suely Sillos de Oliveira*
novembro/2006

RESUMO

Considerando a escola responsável por grande parte da formação do ser humano, o trabalho psicopedagógico na instituição escola tem como caráter preventivo no sentido de procurar criar competências e habilidades para solução dos problemas com esta finalidade e em decorrência do grande número de crianças com dificuldade de aprendizagem e de outros desafios que englobam a família e a escola, a intervenção psicopedagógica ganha, atualmente, espaço nas instituições de ensino. Este artigo surgiu da preocupação existente diante as dificuldades dos alunos em que faz-se construir seus próprios conhecimentos por meio de estímulos, tem justamente o objetivo de fazer uma abordagem sobre a educação e a importância do psicopedagogo diante da instituição escolar.

Palavras chave: Aluno. Aprendizagem. Psicopedagogia.

1 - Introdução
O presente estudo está centrado na importância do psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem. Começamos a interessar pela presente temática logo que ingressamos no curso de psicopedagogia, ao perceber o quanto a educação de qualidade é importante na formação do cidadão. Essa convicção se consolidou logo ao iniciar as atividades de estágio em uma escola pública de Imperatriz. Ali, convivendo com professores, coordenadores e alunos, por um curto espaço de tempo, pudemos perceber que a educação escolar era saída mais viável para escapar da situação de ignorância em que se encontrava a maioria das crianças, especialmente as de baixa renda, que são a maioria em nossa cidade. Mas não a educação que era oferecida, ali o ensino pautava-se pelo verbalismo e informações. A aprendizagem era entendida como acumulação de conhecimentos onde cada professor cuidava de sua disciplina, sem conexão com as demais e sem levar em conta a experiência e os significados que os alunos haviam construídos ao longo de suas experiências pessoais.
Nesse processo de busca e reflexão um questionamento sempre vinha à tona: como educar sem que o processo educativo se transforme num instrumento de manutenção da situação? O nosso maior cuidado era refletir sobre essas questões sem colocar a culpa nos principais atores do processo educativo, os professores, os alunos, e seus familiares. Sabemos que as transformações que estão ocorrendo no mundo todo, em função do processo de reestruturação do capitalismo, tem exigido que a sociedade reflita sobre o papel do trabalho e do trabalhador frente as mudanças que estão ocorrendo em níveis mundiais. O mundo do trabalho hoje, requer profissionais com maiores conhecimentos, uma cultura ampla e diversificada, preparo técnico, inclusive de forma interdisciplinar, sendo que estes fatores determinarão sua inclusão ou exclusão no mundo do trabalho, dependendo da educação recebida. Assim, as instituições de ensino e o trabalho docente não ficaram imunes à realidade da globalização.
A convivência na escola pública nos deu condições de perceber que os profissionais na atualidade, enfrentam sérias dificuldades em relação à aprendizagem dos alunos, isso nos levou a concluir que os mesmos precisam estar atualizados em conhecimentos gerais e específicos para que possam corresponder às exigências do mundo globalizado e também às expectativas do educando. Por outro lado, sabemos que os problemas de aprendizagem não podem ser resolvidos apenas com a instrumentalização dos educadores. Não podemos ser ingênuos achando que basta o professor estar bem preparado no campo científico e pedagógico para desempenhar satisfatoriamente o seu papel. A escola pública é construída com a participação da família, dos professores e do estado. Quando um desses atores deixa de cumprir o seu papel, compromete o trabalho dos demais. Assim sendo, estudar a importância do psicopedagogo dentro de uma instituição não pode se dar de forma isolada, fora do contexto mais amplo que é a sociedade. Precisamos compreender a sociedade com a qual vivemos, através de sua cultura, suas relações de classe, suas relações de produção para compreender as especificidades do trabalho psicopedagógico que, por sua vez, não se dá desconceitualizado. Devemos reconhecer as mudanças que tem ocorrido nas diversas fases de desenvolvimento da criança, a infância e a adolescência já requerem novos olhares por parte dos psicopedagogos, psicólogos, dos pediatras e, lógico dos educadores. Isso nos leva, inevitavelmente, a uma reavaliação do papel da escola e dos professores diante do ato de ensinar.
Além dessa conjuntura, que é de natureza mais ampla, deparamo-nos com a situação específica da aprendizagem no interior de nossas escolas. É importante que haja uma reflexão a respeito do processo da qualidade da educação e a contribuição de outros profissionais nesse processo. Sabemos que a situação de aprendizagem, no atual momento é preocupante. Como sabemos também que, depois da família, é o educador a figura mais próxima do aluno, é com ele que o aluno conta (ou deveria contar) nas suas angústias e dúvidas quando a família não tem condições de auxiliá-lo. Portanto, é bastante oportuno um trabalho que reflita sobre o papel e a importância de um psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem, que esteja atento a uma nova prática onde ensinar e aprender sejam atos que caminhem para a mesma direção.
É importante ressaltar a psicopedagogia como complemento, que é a ciência nova que estuda o processo de aprendizagem e dificuldades, muito tem contribuído para explicar a causa das dificuldades de aprendizagem, pois tem como objetivo central de estudo o processo humano do conhecimento: seus padrões evolutivos normais e patologias bem como a influência (família, escola, sociedade) no seu desenvolvimento (Scoz, 1992; Kiquel, 1991).
Observamos nas salas de aula durante os nossos estágios um espaço calmo e harmonioso com vinte (e tantas) mesas e cadeiras. Nas paredes desenhos de casas, árvores e paisagens. Ao canto, bonecos, jogos e livros de histórias. Por cima das mesas um livro e um lápis para aprender. No ar sente-se um cheiro de se ser criança. Se acendermos ao nosso imaginário, em que pensamos? Vinte (e tantos) meninos e meninas sentadinhos enquanto ouvem a explicação do professor. A expressão facial mostra-nos bem: os olhos arregalados de curiosidade empenho e dedicação. Estamos perante um ambiente de aprendizagem que tem meninos bem comportados e confiantes e um professor invariavelmente eficaz.
E se... em vez de acendermos ao mundo  imaginário, pensarmos no mundo real, o que vemos? Vinte e muitos meninos e meninas. Por um lado, o João a bater no Paulo, porque lhe tirou a borracha, a Maria a gritar com a Joana, dizendo que esta comprou uma caneta igual a dela, o Luís fazendo desenho no caderno, a Madalena impaciente à espera do intervalo para tomar a sua primeira refeição do dia. É verdade. Há uma grande discrepância entre o que desejamos e o que temos, na realidade da escola. Por isso temos que estar atentos a tais situações, e tem que haver uma intervenção sobre isto, esses inúmeros fatores, como, a estabilidade ou a instabilidade emocional dos alunos, o seu contexto familiar ou até dificuldades de aprendizagem ainda não diagnosticadas. Esta falta de interesse vem consequentemente de uma causa, enfim, isto demonstra-se haver variado leque de aspectos que estão na origem do comportamento.
No entanto, não é sobre a etiologia destes comportamentos que nos vamos debruçar, mas sobre as conseqüências e possíveis estratégias de intervenção. Desta forma, normalmente associado a este quadro comportamental acrescenta-se o insucesso escolar, e o grande número de dificuldades escolares, o que torna mais urgente uma intervenção psicopedagógica. Assim o professor espera-se que ensine e do aluno que seja bem comportado e que este aprenda.

2 - perspectiva PSICOPEDAGÓGICA

A psicopedagogia, por contar com a contribuição de várias áreas do conhecimento, Psicologia, Sociologia, Antropologia, e outros, assume o papel de desmitificadora do fracasso escolar, entendendo o erro apresentado pelo indivíduo no processo de construção do seu conhecimento (Piaget), a as interações (Vygotsky), como fator importante no desenvolvimento das habilidades cognitivas. Apresenta assim, uma perspectiva diferenciada daquelas que há muito permeia a mente de muitos professores.
O psicopedagogo assume papel relevante na abordagem e solução dos problemas de aprendizagem. Não procura culpados e não age com indulgência. De acordo com Bossa (2000, p. 14), “é comum, na literatura, os professores serem acusados de si isentarem de sua culpa e responsabilizar o aluno ou sua família pelos problemas de aprendizagem”, mas há um processo a ser visto, às vezes, os métodos de ensino tem que ser mudados, o afeto, o amor, a atenção, isto tudo influi muito na questão. Nesse caso, o psicopedagogo procura avaliar a situação da forma mais eficiente e proveitosa. Em sua avaliação, no encontro inicial com o aprendente e seus familiares, que é um recurso importantíssimo, utiliza a “escuta psicopedagógica”, que o auxiliará a captar através do jogo, do silêncio, dos que possam explicar a causa de não aprender.
Segundo Alícia Fernandes (1990 p. 117), a
[...] intervenção psicopedagógica não si dirige ao sintoma, mas o poder para mobilizar a modalidade de aprendizagem, o sintoma cristaliza a modalidade de aprendizagem em um determinado momento, e é a partir daí que vai transformando o processo ensino aprendizagem.

Portanto a psicopedagogia não lida diretamente com o problema, lida com as pessoas envolvidas. Lida com as crianças, com os familiares e com os professores, levando em conta aspectos sociais, culturais, econômicos e psicológicos.
Piaget fez o seguinte experimento: na presença das crianças, pôs um mesmo volume de água em dois frascos com formatos distintos, um fino e outro largo. Quando perguntou qual frasco continha mais água, as crianças com menos de sete anos responderam: O mais fino tem mais água porque é mais longo. Segundo Piaget, as crianças dessa idade não tem ainda desenvolvida a operação de pensamento chamado reversabilidade. A título de curiosidade, resolveu fazer esse experimento com um grupo de adultos, colocando a mesma quantidade de água em outros frascos com formatos diferentes. Sabendo que os adultos já tem a operação de reversibilidade desenvolvida, e convidados a dizer qual frasco continha mais água, suas respostas divergiram, similarmente ao que sucede com as crianças. Pode-se concluir, que desse simples experimento, que os seres humanos têm dificuldades para discriminar uma constante no meio de muitas variáveis.
O leitor poderia perguntar? Que relação tem entre esse experimento e o tema a importância do psicopedagogo nas dificuldades de aprendizagem. Bem, pelo menos esse experimento nos sugere que convém duvidarmos de nossas opiniões sobre o problema da aprendizagem. Será que a coisas nesse campo acontecem da maneira como costumeiramente as vemos? Elas não estariam sujeitas a equívocos semelhantes ou mais graves do que aqueles com os frascos de água? Convém ressaltar que na aprendizagem, por ser um processo humano, um equívoco quanto à concepção tem implicações muito mais graves, comparado com a situação dos frascos. Nesta, o equívoco de percepção é facilmente corrigível por meio de uma medida padrão de volume. Já com a aprendizagem, a situação é bem outra, pois esta é incomparável e bem mais complexa, e facilmente se pode entrar num beco sem saída ao se tentar explicar o problema da aprendizagem orientado apenas por nossa percepção ordinária. Por isso, penso ser recomendável uma boa dose de prudência ao se pisar nesse terreno.
No entanto, este equilíbrio nem sempre é conseguido e o professor, na sua formação base, não tem técnicas para intervir nestes casos. Como tal, como psicopedagogos, pensamos que, se o professor utilizasse algumas estratégias, estas situações poderiam ser minimizadas.

3 - O PSICOPEDAGOGO E OS ASPECTOS DA RELAÇÃO PROFESSOR ALUNO

Percebe-se nas salas de aulas que a maioria dos professores não estão preparados tanto no campo científico, metodológico ou político, na verdade eles se preocupam mais em passar o conteúdo, e que o aluno aprenda o que foi dito por ele. Ao considerarmos a aprendizagem com base nos pilares cognitivos e das emoções, fazemos uso dos sentimentos envolvidos na relação professor-aluno e como o processo de ensino é efetivado em função dessa interação. Se o professor não si preocupa com a aprendizagem do aluno, no final do ano ele não terá uma posição satisfatória. Falar da relação professor - aluno é falar de relações humanas, é falar de alegria e da angustia do outro e até da falta de interesse por parte do aluno e suas respectivas dificuldades. Cada um tem uma história diferente, uma linguagem diferente, uma maneira diferente, um incentivo diferente, esses elementos foram construídos pela múltiplas relações da realidade. O aluno segundo Luckesi (1994, p. 117), “[... ] é um sujeito ativo que, pela ação, ao mesmo tempo se constrói e se aliena. Ele é um membro da sociedade como qualquer outro sujeito, tendo caracteres de atividade, sociabilidade, historicidade, praticidade. ”
Na relação educativa, dentro das práxis pedagógica, ele é o sujeito que busca uma nova determinação em termos de patamar crítico da cultura elaborada. Ou seja, é um ser humano que busca adquirir um novo patamar de conhecimentos, habilidades e modo de agir. Mas, o próprio aluno não tem essa visão e muitas vezes se angustia dentro da escola porque ao chegar ali traz de casa o auto-conceito e auto-estima a partir das relações que desenvolve com os pais ou pessoas de seu convívio diário. O professor, em sala de aula, não pode destruir essa relação. O educando não pode ser considerado, pura e simplesmente, como massa a ser informada, mas sim como sujeito, capaz de construir a si mesmo, desenvolvendo seus sentidos, entendimentos e inteligências, a educação escolar não pode exigir uma ruptura com a condição existente sem suprir seus elementos. Há uma continuidade dos elementos anteriores e, ao mesmo tempo uma ruptura, formando o novo. O que o aluno traz de seu meio familiar e social não deve ser suprimido bruscamente, mas sim incorporado às novas descobertas da escola.

Quando uma criança aprende um novo modo de executar uma brincadeira, um modo de ser, não suprime o modo anterior, ao contrário, incorpora o modo anterior ao novo modo de execução. É o novo que nasce do velho, incorporando-o por superação (Luckesi, 1994, p. 118).

Assim as relações entre os professores e alunos, as formas de comunicação, os aspectos afetivos e emocionais, a dinâmica das manifestações na sala de aula, segundo Libâneo (1994), fazem parte das condições organizativas do trabalho docente, juntamente com os aspectos cognitivos e sócio-emocionais da relação professor-aluno. Isso significa que o trabalho docente se caracteriza não apenas pelo preparo pedagógico e científico do professor e de toda a equipe da escola, mas também, pelo constante vaivém entre as tarefas cognoscitivas colocadas pelo professor e o nível de preparo dos alunos para resolverem as tarefas.
A importância do psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem começa a configurar-se quando se toma consciência das dificuldades dos alunos e cuida-se em apresentar os objetivos, os temas de estudos e as tarefas numa forma de comunicação clara e compreensível, juntamente com o professor e na escola, em um todo. As formas adequadas de comunicação concorrem positivamente para a interação professor-aluno e outros que fazem parte do contexto escolar. Alves (2003, p. 36), faz uma metáfora que ilustra bem essa questão.

Sabe quando você tem duas taças de cristal? Elas estão em silêncio. Ai a gente bate uma na outra e elas reverberam sonoramente. Uma taça influencia a outra. Uma taça faz a outra emitir um som que vivia silencioso no seu cristal. Assim é a educação, um toque para provocar o outro a fazer soar a música.

Cada aluno tem uma história diferente, uma necessidade diferente, uma expectativa diferente quando se relaciona com o outro, inclusive com o professor. Por sua vez, o professor em sala de aula não vê o aluno com o mesmo olhar de outro professor. O professor não apenas transmite os conhecimentos ou faz perguntas, mas também ouve o aluno, deve dar-lhe atenção e cuidar para que ele aprenda a expressar-se, a expor suas opiniões. Para obter uma boa interação no aspecto cognoscitivo, é preciso levar em conta o manejo no recurso da linguagem; variar o tom da voz, falar pausadamente quando necessário e falar com simplicidade sobre os temas complexos. Nesse sentido, o que mais conta é a condição social do aluno e não a sua idade cronológica, conhecer também o nível de conhecimento dos alunos, ter um bom plano de aula, entendemos como sendo um bom plano de aula aquele que tem objetivos claros e estratégias de ensino capazes de ser colocadas em prática de acordo com a capacidade dos alunos e os recursos de sala de aula disponíveis na escola, explicar aos alunos o que espera deles em relação à assimilação da matéria.
Outros aspectos indispensáveis são os sócio-emocionais. Estes aspectos referem-se aos vínculos afetivos entre o professor e os alunos, como também às normas e exigências objetivas que regem a conduta dos alunos na aula.

4 - O Psicopedagogo e A Instituição Escolar

Diante do baixo desempenho acadêmico, as escolas estão cada vez mais preocupadas com os alunos que têm dificuldades de aprendizagem, não sabem mais o que fazer com as crianças que não aprendem de acordo com o processo considerado normal e não possuem política de intervenção capaz de contribuir para a superação dos problemas de aprendizagem.
Neste contexto, o psicopedagogo institucional, como um profissional qualificado, está apto a trabalhar na área de educação, dando assistência aos professores e a outros profissionais da instituição escolar para a melhoria das condições do processo ensino-aprendizagem, bem como para prevenção dos problemas de aprendizagem.
Por meio de técnicas e métodos próprios, o psicopedagogo possibilita uma intervenção psicopedagógica visando à solução de problemas de aprendizagem em espaços institucionais. Juntamente com toda a equipe escolar, está mobilizado na construção de um espaço adequado às condições de aprendizagem de forma a evitar comprometimentos. Elege a metodologia e/ou a forma de intervenção como o objetivo de facilitar e/ou desobstruir tal processo.
Os desafios que surgem para o psicopedagogo dentro da instituição escolar relaciona-se de modo significativo. A sua formação pessoal e profissional implicam a configuração de uma identidade própria e singular que seja capaz de reunir qualidades, habilidades e competências de atuação na instituição escolar.
A psicopedagogia é uma área que estuda e lida com o processo de aprendizagem e com os problemas dele decorrentes. Acreditamos que, se existissem nas escolas psicopedagogos trabalhando com essas dificuldades, o número de crianças com problemas seria bem menor.
Para Bossa (2000), o psicopedagogo tem muito o que fazer na escola: Sua intervenção tem um caráter preventivo,sua atuação inclui:

  • orientar os pais;
  • auxiliar os professores e demais profissionais nas questões pedagógicas;
  • colaborar com a direção para que haja um bom entrosamento em todos os integrantes da instituição e;
  • principalmente socorrer o aluno que esteja sofrendo, qualquer que seja a causa.

São inúmeras as intervenções que o psicopedagogo pode ajudar os alunos quando precisam, e muitas coisas podem atrapalhar uma criança na escola, sem que o professor perceba, e é o que ocorre com as maiorias das crianças com dificuldades de aprendizagens, e às vezes por motivos tão simples de serem resolvidos. Problemas familiares, com os professores, com os colegas de turma, no conteúdo escolar, e muitos outros que acabam por tornar a escola um lugar aversivo, e o que deveria ser um lugar prazeroso.
Dentro da escola, a experiência de intervenção junto ao professor, num processo de parceria, possibilita uma aprendizagem muito importante e enriquecedora, principalmente se os professores forem especialistas em suas disciplinas. Não só a sua intervenção junto ao professor é positiva, também com a participação em reuniões de pais, esclarecendo o desenvolvimento dos seus filhos, em conselhos de classe com a avaliação no processo metodológico, na escola como um todo, acompanhando e sugerindo atividades, buscando estratégias e apoio necessário para cada criança com dificuldade.
Segundo Bossa (l994, p. 23),

[...] cabe ao psicopedagogo perceber eventuais perturbações no processo aprendizagem, participar da dinâmica da comunidade educativa, favorecendo a integração, promovendo orientações metodológicas de acordo com as características e particularidades dos indivíduos do grupo, realizando processos de orientação. Já que no caráter essistencial, o psicopedagogo participa de equipes responsáveis pela elaboração de planos e projetos no contexto teórico/prático das políticas educacionais, fazendo com que os professores, diretores e coordenadores possam repensar o papel da escola frente a sua docência e às necessidades individuais de aprendizagem da criança ou, da própria ensinagem.

O psicopedagogo atinge seus objetivos quando, tem a compreensão das necessidades de aprendizagem de determinado aluno, abre espaço para que a escola viabilize recursos para atender às necessidades de aprendizagem. Desta forma o psicopedagogo institucional passa a tornar uma ferramenta poderosa no auxílio da aprendizagem.

5 - O PSICOPEDAGOGO E A família DO EDUCANDO

O aprendizado não é adquirido somente na escola, é construído pela criança em contato com o social, junto com sua família e no mundo que o cerca. A família é o primeiro vínculo com a criança e é responsável por grande parte de sua educação, e de sua aprendizagem, e por meio desta aprendizagem ela é inserida no mundo cultural, simbólico e começa a construir seus saberes. Na realidade atual, o que temos observado é que as famílias estão meio perdidas, não sabendo lidar com situações novas: pais que trabalham o dia todo fora de casa, pais que brigam o tempo todo, desempregados, usando drogas, pais analfabetos, separados e mães solteiras. Essas famílias acabam transferindo para a criança, e esta entra num processo de dificuldade, e acabam depositando toda a responsabilidade para a escola, sendo que, em decorrência disso, presenciamos gerações cada vez mais dependentes, e a escola tendo que desviar de suas devidas funções para poder suprir outras necessidades. Cabe ai o psicopedagogo intervir junto à família das crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem, por meio de uma entrevista e de uma anammese com essa família, para tomar conhecimento de informações sobre sua vida orgânica, cognitiva, social e emocional.
Estar atentos no que a família pensa, seus anseios, seus objetivos e expectativas com relação ao desenvolvimento do filho é de grande importância para o psicopedagogo chegar a um diagnóstico. Vale lembrar o que diz Bossa (1994, p. 74), sobre o diagnóstico:
O diagnóstico é um processo contínuo sempre revisável, onde a intervenção do psicopedagogo inicia, segundo vimos afirmando, numa atitude investigadora, até a intervenção. É preciso observar que esta atitude investigadora, de fato, prossegue durante todo o trabalho, na própria intervenção, com o objetivo de observação ou acompanhamento da evolução do sujeito.
Às vezes, quando o fracasso escolar não está associado às desordens neurológicas, a família tem grande participação nesse fracasso. Percebe-se nos problemas, lentidão de raciocínio, falta de atenção, e desinteresse. Esses aspectos precisam ser trabalhados para se obter melhor rendimento intelectual.
A família desempenha um papel importante na condução e evolução do problema acima mencionado, muitas vezes não quer enxergar essa criança com dificuldades que muitas vezes está pedindo socorro, pedindo um abraço, um carinho, para chamar a atenção para o seu pedido, a sua carência. Esse vínculo afetivo é muito importante para o desenvolvimento da criança. Sabemos que uma criança só aprende se tem o desejo de aprender, e para isso é importante que os pais contribuem nesse processo.
É cobrado da criança que esta seja bem sucedida. Porém quando este desejo não si realiza, surge a frustração e a raiva que acabam colocando a criança num estado de menos valia, e proporcionando as dificuldades de aprendizagem.
A intervenção psicopedagógica si propõe a incluir os pais no processo, através de reuniões, possibilitando o acompanhamento do trabalho junto aos professores. Sendo assim os pais ocupam um novo espaço no contexto do trabalho, opinando e participando, e isto é de suma importância.

6 - Conclusão

Expusemos a visão que tivemos de um percurso, seus princípios, seus frutos. Tornamos manifestas nossas angústias e, principalmente, tivemos a ousadia de manifestar nossa opinião sobre a psicopedagogia frente às dificuldades dos alunos. Chegamos a este final não isentos de dúvidas e perguntas. Questionamo-nos, ao longo desse estágio e ainda dúvidas e incertezas permanecem. Porém, sabemos que as dúvidas nos ajudam a caminhar quando procuramos esclarecê-las.
Pesquisar as dificuldades de aprendizagem em um escola pública e identificar a importância do educador nesse processo exigiu-nos, em primeiro lugar a apropriação dos principais conceitos de dificuldades de aprendizagem e também o entendimento do papel do psicopedagogo na educação no atual momento histórico.
De posse desses referenciais concluímos que a importância da educação é confirmada quando esta contribui com o desenvolvimento social, com melhorias relacionados à pobreza e exclusão social. Fazer essa mediação é, sem dúvidas, o desafio do educador do século XXI. Por que desafio? Primeiro, porque entre o educador e o educando existem barreiras, dificuldades, problemas que precisam ser resolvidos. Segundo, porque da mesma forma que não existe lugar para as certezas absolutas, não existem respostas prontas. Cada situação exige reflexão específica e resposta específica.
Nesta perspectiva, a Psicopedagogia contribui significativamente com todos os envolvidos no processo de aprendizagem, pois exerce seu trabalho de forma multidisciplinar numa visão sistêmica. Por isso a proposta exposta neste artigo reforça o pensamento que devemos exercer uma prática docente em parceria, em equipe, onde todos deverão ter “olhar” e sua “escuta” para o sujeito da aprendizagem. Não há como refletirmos sobre este trabalho e buscarmos continuamente agregar valores a nossa formação, resignifica conteúdos e adotamos novas posturas avaliativas, se não conhecermos o ser que si educa e a grande responsabilidade que é de participarmos da sua formação com grandes êxitos.
Percebemos, diante o estágio na escola, que os problemas de dificuldades de aprendizagem ora estão no professor, ora estão no aluno, ora estão na família ou no ambiente no qual se insere o aluno. O que nos causou admiração é que tanto a escola quanto a família estão distante como se não fizessem parte da mesma relação. De um lado presenciamos, por parte da escola, a vontade e disposição de promover uma discussão mais aprofundada em relação ao papel do psicopedagogo na instituição.
Para que o aluno com dificuldades de aprendizagem receba uma educação apropriada as suas necessidades, para além dos profissionais e pais, da adequada formação dos professores e dos agentes educativos, há que ter em conta que o conceito de dificuldade de aprendizagem não implica apenas no reconhecimento do direito que assiste ao educando de freqüentar uma escola regular, pois, caso as práticas educacionais se resumem apenas à sua colocação na escola, sem nenhum tipo de serviços especiais, tais práticas resultam falaciosas e irresponsáveis.

Referências
ALVES, Rubem. Fomos maus alunos. 2 ed. São Paulo: Papirus, 2003.
BARRY, J. Wadsworth. Inteligência e afetividade da criança na teoria de Piaget. 5 ed. São Paulo: Pioneira, 1997.
BOSSA, Nádia. A psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1994.
________________. Dificuldades de Aprendizagem: o que são e como tratá-las. Porto Alegre: ARTMED, 2000.
CURY, A. Pais Brilhantes, Professores Fascinantes. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.
FERNANDES, Alícia. A inteligência Aprisionada. Porto Alegre: Artmed, 1990.
LIBANÊO, José Carlo. Adeus Professor, adeus professora: novas exigências educacionais e docente. São Paulo: Cortez, 2002.
LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da Educação. São Paulo: Cortez, 1994 (Coleção Magistério 2º grau).
MARTA, Kohl de Oliveira. VYGOTSKY: Aprendizado e desenvolvimento num processo histórico. São Paulo: Spcione, 2004.
PIAGET, Jean. Para onde vai a educação? Rio de Janeiro: Olympio / UNESCO, 1973.
SCOZ, B. Psicopedagogia e Realidade Escolar. Campinas: Vozes, 1996.
* Trabalho apresentado  e avaliado  no curso de Psicopedagogia daFaculdade Estadual do Maranhão (UEMA)

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