Mediação de Conflito - Uma abordagem transformativa

Marilis Tereza Cagna

 

Nesse artigo gostaríamos de compartilhar um pouco sobre o trabalho de mediação de conflitos.
Mediação é um processo de cooperação para resolver um conflito, onde um terceiro imparcial é solicitado pelos protagonistas do conflito para ajuda-los a encontrar um acordo satisfatório para ambos.
O conflito é inevitável e inerente a condições humana. Quando explicado, não é patológico, pois a possibilidade de solucioná-lo aparece e a tensão diminui.
Às vezes, perde-se a capacidade de fazer acordos, emergindo um impasse. È quando se perde a postura cooperativa ( dois ganhadores e dois perdedores ) para entrar numa postura competitiva ( um ganhador e um perdedor ). É nesse momento que a diferença é percebida como impeditiva de uma negociação, fazendo-se necessária a busca de terceiros para ajudar a encontrar uma solução. A mediação tem como objetivo recuperar a negociação, para co-construção de uma nova historia alternativa que contenha um novo contexto de relação, novo lugar de participação de cada um, nova discrição do evento.
- É um processo confidencial e voluntário.
- É um processo que propicia a transformação de pessoas e da relação.
- É um processo que utiliza uma forma de comunicação para derrubar barreiras e construir pontes...
O mediador esta sujeito à vontade das partes sem poder de decisão, não devendo impor uma posição especial. Facilita o processo vislumbrando pontos em comum para se chegar ao entendimento.
Transformar a relação, a maneira como cada um vê a si e ao outro no processo, e a maneira de ver a situação de uma forma diferente, são objetivos de mediação.
A mediação vem ampliando sua área de atuação para vários contextos organizacionais.
Sua pratica vem sendo expandida para os campos: familiar, comercial, trabalhista, institucional ( escola, hospital, cárcere ), comunitária ( meio - ambiente, pequenas-causas, lesões pessoais, etc )...
De forma espontânea, a mediação sempre existiu na prática cotidiana, como se fizesse parte da natureza humana.
De forma rudimentar, a Mediação existe há séculos, pois desde que hajam conflitos, tem existido terceiras partes envolvidas para resolve-los.
Se remontarmos a Grécia antiga, os filósofos gregos entendiam a mediação como o processo de relacionar dois elementos diferentes. Mediação era a atividade própria de um grande facilitador como intermediário, que inter-mediava dois elementos diferentes. Há registros da prática da mediação na Antiguidade, na idade Média e em épocas posteriores. Por exemplo no comércio, quando um povo iniciava uma transação comercial com outro, necessitava de um interprete de língua e costume, para ajudar a negociação.
Fora do âmbito comercial, há indícios históricos de que a solução de disputas conjugais antecede a existência dos próprios tribunais. No Alcorão há normas que norteiam a intervenção de um terceiro apaziguador durante a ruptura conjugal.
Na china, há mais de mil anos, existe o conselho de anciões que buscava o consenso através do aconselhamento de casais em disputa. Confúcio dizia que uma resolução ótima de uma desavença deveria ser conseguida pelo acordo e não pela coação.
No âmbito religioso, existe a Junta de Conciliação Judia, fundada em 1920, cuja origem remonta à prática milenar de corte judaica.
Desde o inicio do século, a ,mediação vem sendo amplamente utilizada. O campo dos conflitos trabalhistas foi o primeiro a organizar-se para utilizar os meios alternativos de resolução de disputas, pela sua eficácia na negociação de greves.
Porém, sua aplicação vem se estendendo a outros contextos, inclusive para questões pessoais.
A formalização e a estruturação deste processo tem propiciado o aparecimento de inúmeras técnicas conciliatórias por diferentes causas, construindo-se num fenômeno de mudança social.
Em Los Angeles - USA, foi criada a primeira Corte de Conciliação em 1939, com o objetivo de preservar a vida familiar. Proporcionando soluções amigáveis para controvérsias familiares, buscavam atingir a reconciliação.
Nos últimos 25-30 anos, tem havido um notável desenvolvimento e crescimento do campo. O interesse pela mediação te ganhado um grande impulso, caracterizando o chamado movimento da mediação ( RAC - Resolução Alternativa de Conflitos ou RAD - Resolução Alternativa de Disputas ). Portanto, apenas muito recentemente é que este campo tem-se organizado profissionalmente pois, culturalmente, em situação de conflito os indivíduos estão habituados a recorrer ao judiciário para resolver questões legais e à psicologia para lidar com questões pessoais.
Hoje, na era da negociação e da mediação, há uma explosão de recursos para criar diálogos colaborativos, e conseguir mudança na maneira de lidar com as situações de conflito.
A mediação é uma ferramenta nova, baseada na aplicação de conhecimento trazidos da Sociologia, Direito, Psicologia, Teoria de Sistemas e técnicas de negociação. Surge da necessidade de dar respostas diferentes a conflitos, enquanto cresce a consciência do homem de poder criar, comunicar, dividir, decidir, exigir, participar de maneira ativa no labirinto cotidiano de um mundo cada vez mais complexo.

 

 

 

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