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ARTIGOS

 

1 - Porque fazer Psicoterapia?
2 - A Psicopedagogia institucional e a organização de um trabalho significativo em uma instituição de reabilitação educacional

 


1 - Artigo do INFORMATIVO PSICOPEDRN – Nº 01 – Março/2006
POR QUE FAZER PSICOTERAPIA?

*Edna Maria Pinheiro

Ao se colocar como mediador do processo ensino-aprendizagem, o psicopedagogo assume a necessidade de empreender uma jornada em busca de si mesmo, de modo que possa conhecer seus limites e suas possibilidades como pessoa e assim diferenciar-se como sujeito singular. Tanto no exercício das suas funções de educador e cidadão, quanto na sua vivência como ser humano, o psicopedagogo deve ambicionar a saúde – bem-estar bio-psico-social - e a saúde mental – a plasticidade fundamental à compreensão e atuação em um mundo cada vez mais complexo - como alicerces do desenvolvimento pessoal e profissional. Sendo esta busca por si mesma uma expedição pela apreensão dos significados, que estão sendo construídos e reconstruídos a partir da relação com o outro e consigo mesmo, deve-se reconhecer a necessidade de engajamento em um processo psicoterapêutico.


Como é do conhecimento de todos, o psicopedagogo atua dentro de contextos dinâmicos, estabelecendo relações interpessoais com os atores diretamente envolvidos em cada caso que se apresenta como dificuldade de aprendizagem. Isto significa interagir com alunos, professores, pais e familiares dos alunos, orientadores educacionais, neurologistas, psicólogos e psiquiatras, entre outros, o que requer equilíbrio emocional para avaliar cada situação e discernir a contribuição de cada ator, tanto no processo de diagnóstico da situação apresentada, como dificuldade de aprendizagem, quanto no processo de elaboração, execução e análise das estratégias de intervenção.
Como toda relação interpessoal acontece tanto no plano objetivo (mundo concreto) quanto no plano subjetivo (mundo interno), há que se buscar uma compreensão psicodinâmica que possa explicar as forças ocultas (temores, sentimentos de culpa, frustração, menos valia, raiva, mágoa) que repercutem em cada caso, dificultando o exercício da liberdade com responsabilidade. Porque educar, no íntimo, significa facilitar o desenvolvimento do livre arbítrio e a aceitação da responsabilidade por cada ato e/ou omissão. Logo, não é responsável minimizar o impacto da ação do psicopedagogo, atue ele na clínica ou na instituição. E como não é possível ‘viver em relação’ sem se transformar a cada interação, é urgente reconhecer-se como um ser humano (dotado de qualidades e defeitos) e experimentar-se como uma pessoa que não pode ter algumas das suas partes subtraídas. Daí a importância da vivência como analisando em um processo psicoterapêutico: conhecer-se para se aproximar do outro é um desafio e uma necessidade.

* Psicóloga, Psicoterapeuta de Orientação Analítica Junguiana, Doutora em Ciências Médicas. Área de concentração em Saúde Mental pela FCM da UNICAMP.
E-mail para contato: pinheiroedna@hotmail.com

2 - Artigo do INFORMATIVO PSICOPEDRN – Nº 02 – Junho/2006


A PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL E A ORGANIZAÇÃO DE UM TRABALHO SIGNIFICATIVO EM UMA INSTITUIÇÃO DE REABILITAÇÃO EDUCACIONAL
*Francy Izanny de Brito Barbosa Martins

O Centro de Reabilitação Educacional Profª Janilza Ferreira, localizado em São José do Mipibu/RN, é uma Instituição voltada ao atendimento  de pessoas com necessidades especiais,  que tem como finalidade oferecer apoio psico-pedagógico, bem como, reabilitação a pessoas portadoras de deficiências, através de profissionais especializados das áreas de Educação e Saúde. Buscando encontrar caminhos pedagógicos que possibilitassem um melhor aprendizado aos alunos com necessidades educacionais especiais das salas de apoio, no ano de 2000,  foi implementado um trabalho psicopedagógico, através da criação do Setor de Psicopedagogia, o que aconteceu  a partir da própria necessidade dos usuários atendidos: crianças e adolescentes que apresentavam queixas escolares de dificuldades de aprendizagem, repetência e fracasso escolar, que eram  encaminhados pelas escolas regulares do município.   Assim, o setor iniciou seus trabalhos dentro de uma perspectiva terapêutica individualizada, atendendo inicialmente 18 usuários, os quais foram submetidos a uma avaliação diagnóstica para observar sua postura   diante do aprender e não aprender.  Foram, deste modo,   considerados para tal avaliação todos os eixos de estruturação do processo no sujeito, ou seja, as condições biológicas, cognitivas, afetivas e sociais do indivíduo, as características curriculares, físicas e relacionais da instituição e da escola regular matriculados e as condições sócio-econômicas/culturais da família onde o sujeito está inserido.  Concomitantemente às avaliações, eram esclarecidos aos demais profissionais do Centro o papel do PSICOPEDAGOGO, por meio  do Código de Ética e estatuto da ABPp (CN, 1997), uma vez que este profissional não existia no município.  Também, foi apresentado  o referencial seguido para o trabalho psicopedagógico através de um projeto de trabalho, onde mostrava o embasamento teórico a partir da Teoria da Epistemologia Convergente — Jorge Visca (1987),  que pressupõe uma compreensão global do sujeito como um ser integral, inserido em um contexto social de ensino-aprendizagem, integrando conhecimento psicanalítico, piagetiano e a psicologia social de Pichon Rivière.  A medida que o setor foi crescendo no atendimento clínico individualizado dos usuários,  foram acontecendo paralelamente questionamentos suscitados pela psicopedagoga quanto ao papel educativo da instituição e as ações pedagógicas desenvolvidas pelos professores.  Assim, o trabalho que era estritamente clínico passou a ter um significado mais amplo e institucional, e, então,  a Psicopedagogia iniciou uma nova etapa, agora, com o objeto de estudo: modalidades de aprendizagem desencadeadas e/ou possibilitadas pela instituição.  Assim, citando Noffs(1995), a  intenção deste momento era cuidar da prevenção e dos enfrentamento de conflitos que envolviam a escolarização dos usuários do Centro.   Deste modo, o papel do setor psicopedagógico passou a ser, também, de assessorar a instituição na forma de acompanhamento e apoio a professores, alunos, familiares, equipe de direção e demais funcionários.  Neste contexto foi importante que a psicopedagoga apresentasse um sólido conhecimento específico, capaz de oferecê-lo a outros profissionais para a adequada resolução de problemas e para otimizar, em geral, os processos de ensino e aprendizagem na instituição. Assim, tratou-se, então, de uma dupla exigência: dispor de conhecimentos e dispor de um saber-fazer que permitiu compartilhar esses conhecimentos com outros para progredir em conjunto. Assim,  a primeira meta do setor, após reflexões prévias,  foi organizar um trabalho psicopedagógico institucional, partindo de um levantamento de dados baseados em duas questões:  - Quais os problemas que a instituição apresenta em seu cotidiano e que interfere na aprendizagem dos usuários?   - Quais as ações que ela propõe para minimizar estes problemas?  Além dessas questões que foram respondidas por diferentes segmentos da instituição como direção,  professores e  funcionários, também foram utilizados vários instrumentos diagnósticos como: observação global da instituição; questionário com os professores; entrevista com pais; análise da produção do aluno; análise da produção do professor; situações projetivas – par educativo, para os professores e alunos; situações pedagógicas – leitura/escrita; fotografia dos ambientes internos da instituição; tratamento psicopedagógico aos dados coletados; tratamento científico.   Todavia, após resultado da tabulação realizada e das reflexões das observações, foi apresentado um projeto de trabalho para a instituição, que tinha como objetivo  mostrar a função do psicopedagogo a partir daquele momento.  E, assim, ficou definido um trabalho psicopedagógico para o setor: INSTITUCIONAL e  CLÍNICO, com os seguintes objetivos: atender pessoas que apresentavam dificuldades de aprendizagem; participar da equipe multidisciplinar com estudo de casos e cursos; promover cooperação entre o Centro e a família dos usuários para contribuir  à melhoria do processo de ensino, a qualidade das aprendizagens e a  visão ética-social; colaborar com a formação em serviço do professor – planejamentos, reuniões, cursos e projetos de tutoria e pedagógicos; colaborar com a formação do professor da escola regular.  Deste modo,  nossa intervenção diagnóstica psicopedagógica veio contribuir para suscitar uma reflexão acerca de como os alunos aprendiam e eram avaliados, dado que tais reflexões permitiram uma mobilização nos educadores buscando favorecer experiências  educativas que geraram o que é essencial em avaliação: o resgate dos valores que formam o aluno em aprendende.  A partir dessas reflexões, muitas práticas foram questionadas, inclusive o nome de sala de reforço que passou a ser chamada de sala de apoio pedagógico, onde o seu objetivo passou a contemplar o aluno em seus aspectos globais.  Desta forma, toda a estrutura pedagógica foi discutida e reconstruída pelo grupo de professores, juntamente com a direção e a psicopedagoga, pois todos compreendiam que era preciso mudar e buscar novas formas e novos meios de promovermos um ensino-aprendizagem de qualidade, bem como um atendimento adequado para os usuários.  O conhecimento psicopedagógico proporcionava, neste momento,  subsídios para trabalhar a criança e o adolescente dentro de uma abordagem sócio-interacionista, promotora de consciência de sujeito aprendiz.
* Arte- Educadora, Especialista em Psicopedagogia (UnP)  e concluinte do curso de Pedagogia (UFRN).


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