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ARTIGOS
1) Família: Limites e Compensações
Família: Limites e Compensações
Graça Griz
É preciso disciplinar alguém? De que forma estabelecemos limites em nossas crianças, ao mesmo tempo em que promovemos crescimento e autonomia?
Quando os ensinantes – pais e professores – se propõem a educar alguém, sempre estão dispostos a refletir sobre essas questões. Nos dias atuais, estas são questões discutidas, mas sempre consensuais entre os pensadores que estudam as relações humanas. É importante estabelecer limites claros, bem definidos para poder desenvolver condições seguras às gerações mais novas.
Como fazê-lo? Fazendo uso do poder para impor a violência física e/ou moral? Permitindo? Proibindo? Omitindo-se?
Prefiro falar, aqui, sobre como poderíamos levantar algumas possibilidades de estabelecer limites nos utilizando – pais e professores - de uma expressão de interesse e de afeto pelas nossas crianças, como de resto pelas pessoas.
Em nossa clínica, estamos sempre nos deparando com problemas referentes à falta de limites que gera sérios problemas de disciplina. Causa muito freqüente dos problemas de aprendizagem. Para nós o que se impõe é o estabelecimento de regras claras, nas quais esteja implícito um equilíbrio entre acolher e corrigir. Isto permite o desenvolvimento do sujeito sem destruir sua iniciativa, sua criatividade, fatores indispensáveis para seu crescimento.
O adulto precisa oferecer um desenvolvimento saudável a seu filho, dando-lhe um limite seguro que o acompanhe em todas suas fases, da infância à adolescência, desta à vida adulta, ao mesmo tempo em que precisa ensinar que seu filho saiba tolerar as frustrações, mostrando que existem limites externos que o sujeito não pode controlar.
O limite dado sobre esta ótica é estruturante para o indivíduo, pessoal e socialmente. Assim, a criança aprende o que pode fazer, o que pode ser, o que é permitido desejar e onde termina a possibilidade de exercer este desejo. A criança cresce sabendo que vive em um contexto, e que sua existência é exercida em relação, em harmonia com os outros.
Para que isso ocorra, é preciso que pai e professores saibam se respeitar, dando às crianças a certeza de que suas atitudes são realizadas baseadas no afeto e no interesse pelo seu crescimento. É importante saber que em cada faixa etária existe uma forma especial para negociar. Para que esta negociação ocorra de forma satisfatória é importante que pais e professores saibam escutar, de forma respeitosa, seus filhos e alunos, é preciso que haja respeito e admiração entre ambas as partes.
É importante que esta prática comece desde cedo, dentro de formas em que a criança possa entender.
Dar limites tem a ver com estabelecer regras, normas que tenham a ver com estados emocionais e nos contextos nos quais emergem. É compreender que, mesmo sendo uma criança, o sujeito pode pensar diferente de nós; é saber respeitar esta diferença, aceitando-a.
Para que o limite possa ser dado, não é preciso nem agressões, nem compensações, é preciso amor, participação, envolvimento, enfim uma relação respeitosa para que a criança aprenda a respeitar às regras da sociedade em que vive, às normas da escola onde estuda, podendo assim aprender, crescer.
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