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PARA APRENDER É PRECISO OUSAR E PARA OUSAR É PRECISO APRENDER

Adriana Agudo
Luiz Araújo
Moreira da Silva
Vanessa Carvalho

O caminho do conhecimento pede ousadia.  Ousar é lançar-se à frente sem medo de equivocar-se, porque para aprender é preciso instigar, provocar reflexões e realizar vivências.
Analisando os verbos aprender e ousar é importante integrar as suas ações em um movimento espiralado, o qual nos remete a uma unidade dialética entre empreender com ousadia e tomar conhecimento de... Desta forma, para aprender é preciso ousar e para ousar é preciso aprender.
Essa linha de pensamento amplia o olhar psicopedagógico e dá o alicerce que este profissional precisa para buscar uma aprendizagem instigadora e constante sendo ele, o psicopedagogo, o sujeito cognoscente desse aprender. Assim sendo, a prática psicopedagógica passa a ser para este profissional um grande desafio. 
Sabe-se que não existe um modelo definido, pré-estruturado em uma ação psicopedagógica, todavia existem ações entre o aprender/ousar muito peculiares, que vão orientar essa prática tanto clínica quanto institucional, assim como:

Essas ações permeiam e promovem um movimento de ação-reflexão-ação objetivando o crescimento profissional do psicopedagogo.
E para efetivar essa práxis o profissional deve ter um suporte de linha teórica de ação que o oriente e lhe dê segurança no tipo de intervenção, no que se refere à resposta dada pelo sujeito, possibilitando o movimento interno deste, mais especificamente de suas estruturas cognitivas, na tentativa de fazê-lo pensar e refletir sobre o seu processo de aprendizagem. Assim, entre olhares, gestos, escuta, reflexão, dúvida... Este profissional vai realizando um percurso dialógico, contínuo onde tudo é transformado, mexido no desejo eterno de resignificar as suas inquietações.
É no processo vivenciado na clínica e na instituição que o psicopedagogo adota uma atitude operativa, busca sua autonomia e firma sua identidade enquanto profissional, pois “a atitude operativa de um professor ou de um terapeuta está ligada à ação de promover o movimento interno para a adaptação ativa, naquele que precisa se movimentar para aprender”. (BARBOSA, 1999, p. 25).
Essa forma de atuar faz com que o profissional atreva-se na busca de novas saídas através das intervenções psicopedagógicas vivenciando assim, o hiato entre acerto e erro construído no percurso do ato de aprender, considerando que “aprender não é uma guerra, e sim uma ação compartilhada, na qual a interação se faz necessária, e que errar e acertar não são sempre negativo ou positivo respectivamente”. (BARBOSA, 1999, p. 26).
Para o psicopedagogo inspirado nessa percepção, a cerca do acerto/erro, arriscar-se possibilita empreender novas intervenções, as quais trarão a este profissional à segurança para ousar, condição natural de todo o processo de aprendizagem.
Todo esse processo de lançar-se como profissional, todo esse processo de busca, toda a ação psicopedagógica, aliados a experiência da clínica e da instituição e da troca com outros profissionais aguça à escuta e mexe com o seu eu psicopedagógico enquanto, também, sujeito aprendente. Desta forma, “a aprendizagem tem que ser pendular desde a relação com o outro que ensina para uma relação consigo mesmo com o exercício de internalização da aprendizagem”. (PAIN in Parente, 2000, p.47)
Nesse nível de análise, ações se internalizam emergidas por questões subjetivas, tais como inquietações, medos, insegurança, angústia e tantas outras, capazes de conter em si valência positiva e/ou negativa no profissional que necessita vivenciar tais situações para que através delas possa aprender a ser autor de sua própria ação.
Para atenuar essas, inquietações o pisicopedagogo deve se instrumentalizar através de uma supervisão que possa incluir leitura de texto, discussão em grupo, estudo de caso, produção de texto e de tantas outras questões que possam vir a surgir...
Neste contexto, toma-se como premissa básica que há uma relação direta entre a ação que rege o atendimento psicopedagógico e a supervisão psicopedagógica, renovando, assim, conhecimentos e sentimentos, nos quais, o profissional possa reforçar uma leitura sistêmica sobre o funcionamento da aprendizagem e enriquecer suas intervenções, incluindo este outro profissional-supervisor como coadjuvante.
O que se tem percebido nesse caminho é que quanto mais ousado se consegue ser diante das intervenções mais se instiga o conhecimento, o pensar e o realizar do psicopedagogo. Daí a importância do ousar para aprender e apreender para ousar, sendo um processo dialético que se alimenta da experiência do tripé: supervisor-psicopedagogo-sujeito.
Enfim, o ousar é o ponto de partida para transpor o medo que possa vir a se instalar na culminância do ato de aprender, ultrapassando barreiras, promovendo sentimentos de sucesso, prazer, segurança num constante movimento de crescimento e mudança da prática psicopedagógica. Assim, confirmamos a nossa máxima de que “Para aprender é preciso ousar e para ousar é preciso aprender”.

 

REFERÊNCIA

BARBOSA, Laura Monte Serrat. A Psicopedagogia no Âmbito na Instituição Escolar. Curitiba: Expoente, 2001.
_________ Promovendo o Aprender através da Atitude Operativa. Psicopedagogia: Revista da Associação Brasileira de Psicopedagogia São Paulo: Vol.18, nº 49, p.25-30. Quadrimestral, 1999.
CASTORINA, José Antônio. Psicologia Genética: aspectos metodológicos e implicações pedagógicas / José Antônio Castorina e outros; trad. de José Claúdio de Almeida Abreu. – Porto Alegre: Artes Médicas, 1988.
PARENTE, Sonia Maria B.A. Encontros com Sara Paín. São Paulo: Casa do Psicológo, 2000.
SCOZ, Beatriz. Psicopedagogia e Realidade Escolar: o problema escolar e de aprendizagem. Petrópolis, RJ: Vozes, Ed.12ª, 2005.
VISCA, Jorge. Clinica Psicopedagogica: Epistemolgía Convergente. 2da. AG Servicios Gráficos, Buenos Aires: Argentina, 1994.

 

*Adriana Agudo – Bacharel em Letras, Psicopedagoga.
*Luiz Araújo – Pedagogo, Psicopedagogo.
*Moreira da Silva – Professora de Educação Infantil e Ensino Fundamental,
Psicopedagoga.
*Vanessa Carvalho – Pedagoga, Psicopedagoga.
Tel. (71) 8811- 2333 / (71) 9905-1911
e-mail: psicopedagogos2007@yahoo.com.br

 


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