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Auto-conhecimento no processo de aprendizagem do psicopedagogo
Andrea Karla Souza Santos
Juraneide Ferreira Matos
Nara Silva Dorea Sandes
Patrícia de Andrade Lima
A expressão “conhece-te a ti mesmo” inscrita no templo de Apolo e utilizada amplamente pelo filósofo Sócrates no período clássico da Grécia, já apontava em direção da necessidade básica do homem de se auto conhecer para identificar sua natureza, necessidades e potencialidades investindo no desenvolvimento de si mesmo e na compreensão do outro. O psicopedagogo iniciante nas atividades de intervenção psicopedagógica poderá apropriar-se da proposta socrática e ir à busca de conhecer seu próprio processo de aprendizagem.
Durante a formação teórica o psicopedagogo passa por situações de indiferenciação, de questionamentos e acomodações frente ao conhecimento. Numa etapa posterior, este mesmo processo volta a se repetir no âmbito da prática. Inevitável, uma vez que “[...] compreender não consiste simplesmente em incorporar dados já feitos ou constituídos... mas sim redescobri-los e reinventá-los (através da) própria atividade do sujeito”. (CASTORINA, 1988, p25).
A aprendizagem inicialmente se dá de maneira empírica, a partir da interação do sujeito com o objeto do conhecimento, elaborado individualmente de acordo com a representação que cada sujeito internaliza. É um processo ao qual possibilita ao sujeito transformar a realidade em que está inserido e também promover possibilidades da sua própria transformação. Logo, o psicopedagogo deve estar sempre em situação vigilante com seu movimento interno, tendo como pressuposto a disponibilidade para mudanças, integrando o pensar, o sentir e o fazer.
Percebe-se, dessa forma, a necessidade de uma ação reflexiva sobre o processo de aprendizagem do psicopedagogo quando em contato com o seu cliente em atendimento psicopedagógico clínico, identificando que é imprescindível, durante as etapas desse processo, desenvolver uma atitude de auto-conhecimento de forma ativa e crítica. Para Majós (2000, p 372): “A prática profissional reflexiva implica entrar em processo de auto crítica que se desenvolve de maneira integrada na atividade da própria intervenção e no qual se aprende, entre outras coisas, a auto-regulamentar e a melhorar a própria atividade profissional”.
Essa posição reflexiva do psicopedagogo sobre sua prática suscita a revisão dos seus modelos de aprendizagem e conteúdos internos, ou seja, a construção de uma atitude psicológica conforme define Quiroga: [...] atitudes psicológicas são modalidades estáveis e organizadas de sentimento, pensamento e ação ... que requer uma capacidade de conter e decifrar, ou seja, manter uma distância ótima que quer dizer, uma aproximação que permite a identificação, a ressonância e, ao mesmo tempo, uma instrumentalização que introduza a objetividade nessa relação entre o terapeuta e o sujeito”.
Nessa perspectiva, se faz necessário a compreensão de si mesmo em busca de uma ação eficaz como profissional da Psicopedagogia, uma vez que estará lidando com situações conflituosas ao entrar em contato com as dificuldades do outro. Isto requer a identificação dos processos de transferência e contra – transferência que podem ocorrer entre o psicopedagogo e o sujeito. De acordo com Mamede, (1996) “O processo de transferência está relacionado ao aparecimento de sentimentos, impulsos, fantasias experienciadas no passado que são re-vivenciadas no presente com alguém (no caso, com o psicanalista ou com o psicopedagogo). São sentimentos inadequados no aqui e agora em relação ao objeto de transferência.”.
Por outro lado a contra–transferência, segundo Mamede apud de Freud, (1974) “é a resposta emocional do terapeuta aos estímulos que provêm do paciente como resultado da influência do cliente sobre os sentimentos inconscientes...”. Ao refletir sobre as palavras de Freud sobre a contra-trânsferência, percebe-se que esse processo pode constituir em um grande obstáculo, sendo assim, requer do mesmo um cuidado em procurar identificar e analisar essas condutas, a fim de não se tornarem entraves ao processo psicopedagógico do sujeito.
O auto-cohecimento, portanto, nessa abordagem, se configura em uma ação reflexiva no processo de aprendizagem do psicopedagogo, daí, a necessidade dos momentos de supervisão, de trabalho pessoal e dos grupos de estudos que funcionam como uma espécie de lente de aumento do seu mundo interno, permitindo que o psicopedagogo tome contato consigo mesmo, trazendo a consciência aspectos internos que precisam ser elaborados, na perspectiva de desempenhar uma ação psicopedagógica eficaz.
Referências Bibliográficas
CASTORINA, José Antônio e outros, Psicologia Genética: aspectos metodológicos e implicações pedagógicas . Porto Alegre: Artes Médicas, 1988.
PARENTE, Sonia Maria B.A. Encontros com Sara Paín. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.
MONEREO, C e SOLÉ, O Assessoramento Psicopedagógico, Porto Alegre: Artes Médicas, 2000
QUIROGA, Ana Papliega, Enfoques e Perspectivas em Psicologia, Buenos Aires: Editora 5, 1986.
MAMEDE, Antonio, Psicanálise e Educação, in Rev. Convergências, CEPERJ, Rio de Janeiro: Ed. 03,1996.
*Andrea Karla Souza Santos, pedagoga, psicopedagoga, psicóloga Social
Juraneide Ferreira Matos, pedagoga, psicopedagoga
Nara Silva Dorêa Sandes, pedagoga, psicopedagoga
Patrícia de Andrade Lima, pedagoga, psicopedagoga, psicóloga social
Psicopedagogas, pedagogas, alunas do Curso Estudos Avançados em Psicopedagogia: Atendimento Psicopedagógico II, promovido pelo Centro Psicopedagógico, Vocacional e de Recursos Humanos – CRIA.
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